Ao meu pai (ou metafísica do perdão).

Ao meu pai (ou metafísica do perdão).

Por: Eduardo Leal

Ao pensar sobre esse ser perfeito e que todas as perfeições que imaginamos dele decorrem, transmutei minha mente para além da minha rua, para além de meu bairro, para além de meu pais, por fim, para além desse planeta. Pois para tentar por um só instante imaginar Deus, preciso ir além, e pensar em toda sua Grande Obra, toda a sua perfeição, todo o seu infinito trabalho.
Imaginei os astros e logo me pensei: Como tantos planetas, tantas galáxias, tantas estrelas, circundam no NADA, sem cair, numa geometria perfeita, pelos séculos dos séculos. O que há de segura-los? E se ainda caíssem, para onde iriam? Imaginei que quando algo não está certo aos meus olhos, prontamente duvido, e ao duvidar, eu afirmo que existe um certo. Mas se Deus é perfeitíssimo, e dele vem todas as certezas e afirmativas inegáveis, como eu saberia que existe um certo e errado, se ele não existisse? Imaginei também a perfeição, mas eu não sou perfeito, como poderia eu, um ser limitado, frágil, limitado e errôneo imaginar a perfeição, sabendo que ela existe, se não fosse externa a minha pessoa? Se no meu íntimo, por mais que eu um dia tenha tentado negar, eu não soubesse que ela existia, mesmo sendo algo externo a mim?
Fonte: Ide e anunciai
Lembrei de minha juventude, da minha breve ignorância marxista, e de quão falha, pobre e estéril, é o materialismo histórico e dialético. Pobre, sim, pois ao nos prender em um conceito humanista, terreno, meramente sensitivo, nos bitola em uma castra mente, que por não conceber a realidade do todo, nega o óbvio. Percebi como é clara a existência do primeiro motor, do princípio provedor da vida, da energia, da força, da lógica e que a ele devo todos os louvores, contemplações, agradecimentos, incensos e mirras.
Me senti envergonhado por em se quer um instante ter duvidado de sua existência perfeitíssima e magnânima. Do pai que a tudo fez, a tudo conserva e tudo ama. Ora, se Deus é perfeito, o amor, como o sentimento mais belo que consigo conceber, por lógica, é sua essência primeva. Como um dia pude duvidar, meu Deus, como? Como um dia pude me apegar a pequeneza de um pensamento material, esquecendo tudo, inclusive do seu amor?

Pai me perdoa, e como um filho pródigo, me ensina a rezar.
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Autor Roberto Tinée

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