Coletivismo Desesperado - Sabryna Thais

Coletivismo Desesperado  
Por: Sabryna Thais    

                Desde muito cedo somos ensinados a pensar em conjunto. No fundamental, quando a professora fala que haverá um trabalho, todas aquelas crianças involuntariamente perguntam, '' Em dupla, tia?''. Mesmo não sabendo do que se trata ou o que será pedido nesse trabalho, elas já sentem essa necessidade de ter alguém para dividir o ''peso'' de suas obrigações ou deveres. Se isso fosse apenas um realidade exclusiva dos pequenos, ainda poderíamos arrumar desculpas e explicações para a necessidade que eles têm de sempre ter alguém por perto como apoio. Entretanto, isso vai muito além. Basta olharmos para nossos universitários Brasil a fora, para percebermos que as crianças inseguras só aumentaram de tamanho.
A incapacidade de pensar sozinho é um dos principais fatores para esse ''coletivismo desesperado'' em que se tornou as ações em sociedade. É como se o cérebro já estivesse condicionado a depender do outro e, o que é pior, a pensar como o outro. Deste modo, ao invés de querer juntar as capacidades para um objetivo e, assim, atingir um alto nível de eficiência, seja em qualquer coisa a que se propõe a fazer, o que existe é o desejo de imitação e anulação do ''eu''.
A esse desejo de imitação, René Girard chama de ''Mimetismo''. O desejo é mimético, ou seja, só existe porque alguém o desejou primeiro e a partir desse desejo do outro, surge o desejo do sujeito desejante. O eu é uma estrutura instável e em constante mutação e que a existência é resultado do desejo. O fato é que, não sabendo o que querem, as pessoas imitam os desejos dos outros. As crianças são ótimas para exemplificação. Imaginemos que no dia das crianças uma determinada criança ganhou vários presentes, muitos deles ela já vinha pedindo aos pais insistentemente à vários meses. No dia em que ela enfim ganha o que queria, um primo da mesma idade vem visita-la com os presentes que também ganhou no dia das crianças. No meio desses presentes do primo, existe um que a primeira criança nunca tinha ouvido falar e ela, ime
diatamente, se encanta por aquilo e esquece de tudo que ganhou. Na verdade, essa criança não queria os presentes que foi lhe dado. O que ela tinha era o desejo por algo que não à pertencia. E ao ver o novo objeto de desejo, ela imediatamente esqueceu aquilo pelo qual havia passado meses aguardando. 
Não é diferente com o restante da população adulta. No fim, aquele ditado '' A grama do vizinho sempre é mais verde'' faz todo sentido, se observamos pela perspectiva da Mimésis. E é pensando assim que a maioria das pessoas esquecem de cuidar da sua grama e acha que fazer amizade com o vizinho e levar a cerveja para o churrasco de domingo já é suficiente. 
Com tudo isso, vem criando-se uma sociedade extremamente dependente, incapaz de andar com as próprias pernas e com um intelecto podado. Não conseguimos mais pensar sobre algo em sua totalidade ou estudar sobre determinado assunto mais profundamente. Tudo é fragmentado e as informações não precisam ser aprendidas da fonte primária, um resmuno na internet já é o suficiente para um ''bom'' trabalho na faculdade. 
E é assim, nessa dependência estupida do outro, que vemos pessoas cada vez mais com cérebros atrofiados. Crianças mimadas que não sabem escolher nem sequer uma roupa por si mesmo e dependem do desejo do outro para enfim criar o seu próprio. 
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Autor Roberto Tinée

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